Corriam pela casa fora. "A jogar ao xerife", diziam, com pistolas de plástico na mão a encenar a personagem do bom -ou do mau- cada personagem com a sua emoção e adrenalina tão características. Mas não lhes podemos chamar "caseiros", mais que tudo eles eram selvagens. Selvagens. É isso. Viviam de quando lhes largavam a mão para correrem, em sprint, por Belém, a "ver quem chega primeiro aos baloiços", ou de quando chegavam a "casa" depois de uma grande viagem e os deixavam ir dar um passeio só "para ver se está tudo na mesma". De ar puro, subidas a árvores, corridas monte-a-baixo-monte-a-cima, mergulhos num qualquer rio ou tanque, passeios até se perderem no mato, teatros, cambalhotas na piscina, passeios de bicicleta, asneiras e jogos da cabra cega, o momento de triunfo dava-se quando a casa chegavam, porcos, suados, imundos, com a certeza que o dia seguinte seria ainda melhor...
O tempo passou e de selvagens passaram a verdadeiras criaturas urbanas e educadas. Esqueceram-se que saltar muros e tomar banho em pelota num rio, enchendo o corpo de argila, pode dar a maior felicidade. Esqueceram-se do quão felizes eram quando a inocência se sobrepunha ao auto-conhecimento. Mas auto-conhecimento que não têm pois não sabem o bem que lhes faria fugir pra longe e, correndo numa liberdade que acham só os animais gozar, mergulhar na lama!

Às vezes dá uma saudade....
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